
É hora de falar de gênios. A maioria de vocês que lê o nosso Som na Caixa deve conhecer Milton Nascimento só pelas festas de formatura, ou aniversários de tia. Mas o que esse pessoal não sabe é que está perdendo a obra mais revolucionária da história da música brasileira!
Milton, antes de muita gente entender o que era rock no Brasil, misturou Beatles com samba, folk e ritmos regionais, para criar junto com o também gênio Lô Borges o movimento definitivo Clube da Esquina, marcado por um disco de mesmo nome lançado nos anos 70, e que mantém o mesmo espírito jovem, diferente da tão engessada e barzística MPB que a gente acompanha atualmente.
Este mesmo Milton sempre buscou sangue novo para fazer parcerias e duetos, tendo colaborado com Samuel Rosa e o Skank, lançado Maria Rita, gravado com o RPM no auge do sucesso do grupo e fazendo participação até mesmo com o metal brazuca do Angra! Agora Milton voltou na fonte, sua cidade de criação (Três Pontas/MG) para captar novos compositores e instrumentistas e o resultado é “…E a gente sonhando“, álbum recém-lançado.
O disco conta com 16 canções variadas, passeando entre gravações de canções engavetadas (…E a gente sonhando foi a segunda música composta por Milton em sua vida!), canções dos “meninos de minas” (”Olhos do mundo” e “Eu Pescador”, de compositores jovens de sua cidade) e regravações inusitadas de Lulu Santos (”Adivinha o quê?”), João Bosco (”Flor de Ingazeira”), contando até mesmo com uma canção consagrada pelo Jota Quest (”O Sol”, lembra?).
Milton em diversas entrevistas contou sobre os acasos que fizeram ele descobrir grandes talentos em Três Pontas, como festas em fazendas e celebrações musicais na cidade. Garotos como Bruno Cabral (de 19 anos) e Pedrinho do Cavaco (seu afilhado) ficam à vontade com este menino de 68 anos, que ainda tem muito o que reinventar.
Assim que tivermos acesso à gravação (que conta com a produção do seu irmão musical, o maestro Wagner Tiso), teremos uma bela resenha aqui para te fazer companhia enquanto ouvir as paisagens mineiras rústicas e maravilhosas que brotam da música de Milton e de seus novos amigos. Aguarde!
Fonte: Estadão